A sarna é causada por um ácaro, o Sarcoptes scabiei, e trata-se com um escabicida receitado — normalmente permetrina 5%. Não é uma questão de higiene, apanha-se por contacto próximo, e tem cura. Este site explica o processo todo, de graça.
A sarna — escabiose, no termo clínico — é uma infestação da pele pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. hominis. A fêmea escava túneis na camada superficial da pele para depositar ovos, e é a reação do sistema imunitário a esses ovos e resíduos que provoca a comichão. Por isso os sintomas costumam demorar semanas a aparecer numa primeira infestação: o corpo tem primeiro de se sensibilizar.
Transmite-se sobretudo por contacto direto e prolongado pele com pele — quem vive na mesma casa, casais, quem presta cuidados. O contágio através de roupa ou lençóis é possível, mas exige contacto recente com o tecido. Não tem relação com falta de higiene, e vale a pena dizê-lo: a vergonha é o motivo mais comum para adiar a consulta.
Quando aplicar o escabicida, quando repetir ao 8.º dia, o que lavar a 60 °C e em que dia, quem mais em casa tem de tratar ao mesmo tempo, e quanto tempo é normal a comichão continuar depois de tudo estar resolvido. É a parte que ninguém explica na consulta de dez minutos.
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O que procurar, e o que costuma ser confundido com sarna.
Permetrina, ivermectina: o que o médico prescreve e porquê.
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Produtos de higiene e desinfeção para acompanhar o tratamento prescrito. Nenhum destes artigos trata a escabiose — o escabicida do seu médico é que trata.
Dois sinais afastam a sarna de uma alergia comum: a comichão agrava-se claramente à noite, e é frequente aparecer em mais do que uma pessoa da mesma casa. Costumam também surgir lesões entre os dedos das mãos e nos pulsos. Nenhum destes sinais fecha o diagnóstico — quem o confirma é o médico, muitas vezes numa única observação.
Permetrina 5% em creme, aplicada em todo o corpo e deixada a atuar durante a noite, é a primeira linha em Portugal. Em alguns casos o médico opta por ivermectina oral. Ambos exigem receita. Não há alternativa de venda livre com eficácia equivalente, e adiar a consulta prolonga o período em que se é contagioso.
Para o que fica à volta do tratamento: manter a pele limpa e confortável durante e depois da aplicação do escabicida, e desinfetar têxteis e superfícies para evitar a reinfestação. São complementos de higiene. Nenhum deles trata a escabiose, e dizemos isto em todas as páginas de produto.
O Sarcoptes scabiei não sobrevive acima dos 50 °C. Lavar lençóis, toalhas e vestuário a 60 °C resolve. O que não puder ir à máquina fica fechado num saco durante 7 dias — sem pele humana, o ácaro não aguenta esse tempo.
Provavelmente não. A comichão pós-escabiosa pode durar 2 a 4 semanas depois de os ácaros terem morrido, enquanto a pele reage aos resíduos que ficaram. É desagradável mas esperado. Se aparecerem lesões novas, aí sim volte ao médico.
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